Caro Sposito,
Li o texto e gostaria de fazer alguns comentários... se me permite, maiores ainda que o que você postou.
Acredito muito correta e oportuna a posição do Dalai com os paradigmas propostos. Se pensarmos bem, vem ao encontro de deficiências que já percebemos em várias oportunidades tanto em negociações entre pessoas como entre empresas.
A falta de princípios morais estão sendo percebidos pela sociedade, o que indica uma evolução humana em detrimento do lucro puro e frio.
Quantos pais também não se preocupam com a formação dos filhos e percebem que “faltou alguma coisa” quando estes chegam a fase adolescente ou adulta? E o tempo (que não voltará jamais) que deixamos de dedicar a estes que compensamos com benefícios financeiros, que falham totalmente se comparados a uma educação moral sólida e amorosa?
A “Nova consciência nos negócios”, é uma necessidade que muitos já percebem e praticam. As palavras do Dalai, mesmo com sua inocente espontaneidade, expõe um desejo intimo da sociedade.
Comentando as quatro principais propostas expostas pela Revista HSM:
1. A adoção de métricas de desempenho mais abrangentes do que as atuais.
O quanto frustrante é perceber para quem faz contatos, negócios, ter seu desempenho avaliado somente no volume de vendas ou renda que suas atividades geraram, em detrimento da qualidade de negócio obtido, fidelidade, confiança e “ganha-ganha” que a negociação gerou. Tempo, dedicação, cuidado, sintonia ética e moral, deveriam ser tão importantes quanto a resultados e lucros obtidos.
2. O uso de princípios morais, além de dinheiro, como paradigma gerencial principal.
Acredito que a sociedade já procura alguma forma de concretizar isto quanto exige de fornecedores certificações ambientais, não utilização de trabalho infantil, funcionários contratados pela CLT, adoção de cotas, etc. São tentativas de “moralizar” as atividades, mas ainda é pouco. Poucos valorizam mais as negociações com seus parceiros próximos em detrimento de empresas totalmente desconhecidas que proporcionem maiores lucros, independente dos métodos que utilizem para gerar seus produtos. Como quantificar isto? Como traduzir de forma transparente e que se perceba que o lucro foi menor mas a empresa, a sociedade, as pessoas foram beneficiadas?
3. Uma reforma educacional mundial, visando ensinar primeiro ao coração e depois ao cérebro – e que seja secular.
O Dalai falou da qualidade de ensino no Japao e sua taxa de suicídio entre os jovens. Podemos citar ainda outros países de primeiro mundo que geram jovens que tendem a violência para se expressar, ou que passam a ignorar os seus iguais porque não fazem parte de seu circulo próximo de amizade e convivência. Quem se importa com as mortes de milhares de pessoas do outro lado no mundo, na Africa, em países de extrema pobreza, se tem os últimos lançamentos tecnológicos ou os mais modernos confortos da sociedade moderna? Pra que deixar de trocar o carro todo ano se eu posso pagar por isto? Educar o coração é mister.
4. Uma mudança radical no método atual de resolução de problemas.
Negociação constante... ganha-ganha, respeito pelas necessidades do outro em detrimento do maior lucro ou vantagem. Não parece a educação que nós (os mais antigos rs...) recebemos de nossos pais quanto a forma de lidar com os nossos irmãos e próximos?
Me lembrei agora de um ensinamento que recebi enquanto criança, quando participei do movimento escoteiro, uma das “Leis do Escoteiro” dizia que “O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros”, na íntegra:
"É amigo ou irmão, não importando a que país, classe ou credo o outro possa pertencer. Como Escoteiro, você reconhece as demais pessoas como sendo, com você, filhos do mesmo Pai, e não faz caso de suas diferenças de opinião, casta, credo ou país, quaisquer que elas sejam. Você domina os próprios preconceitos e procura encontrar as boas qualidades que tenham; o defeito deles qualquer um pode criticar. Se você põe em prática esse amor pelas pessoas de outros países e ajuda a fazer surgir a paz e a boa vontade internacionais, isto será o Reino de Deus na terra. O mundo inteiro é uma fraternidade." Baden-Powell
Isto não tem tudo a ver com o que o Dalai falou sobre “uso de princípios morais” e “reforma educacional mundial”? Escrito por um militar inglês em 1910, ensinado para crianças nos anos 70 e 80? Então... não é uma idéia tão nova assim, mas difícil de ser aplicada, e esquecida pela sociedade moderna.
Hoje vejo que princípios morais e éticos como este são considerados infantis, inocentes, impossíveis de serem colocados em pratica por pessoas que tomam decisões que implicam resultados e lucros, mas não seria algo realmente recompensador para “o coração” das pessoas?
por Fábio Ricardo
domingo 25/09/2009 às 15:30
Li o texto e gostaria de fazer alguns comentários... se me permite, maiores ainda que o que você postou.
Acredito muito correta e oportuna a posição do Dalai com os paradigmas propostos. Se pensarmos bem, vem ao encontro de deficiências que já percebemos em várias oportunidades tanto em negociações entre pessoas como entre empresas.
A falta de princípios morais estão sendo percebidos pela sociedade, o que indica uma evolução humana em detrimento do lucro puro e frio.
Quantos pais também não se preocupam com a formação dos filhos e percebem que “faltou alguma coisa” quando estes chegam a fase adolescente ou adulta? E o tempo (que não voltará jamais) que deixamos de dedicar a estes que compensamos com benefícios financeiros, que falham totalmente se comparados a uma educação moral sólida e amorosa?
A “Nova consciência nos negócios”, é uma necessidade que muitos já percebem e praticam. As palavras do Dalai, mesmo com sua inocente espontaneidade, expõe um desejo intimo da sociedade.
Comentando as quatro principais propostas expostas pela Revista HSM:
1. A adoção de métricas de desempenho mais abrangentes do que as atuais.
O quanto frustrante é perceber para quem faz contatos, negócios, ter seu desempenho avaliado somente no volume de vendas ou renda que suas atividades geraram, em detrimento da qualidade de negócio obtido, fidelidade, confiança e “ganha-ganha” que a negociação gerou. Tempo, dedicação, cuidado, sintonia ética e moral, deveriam ser tão importantes quanto a resultados e lucros obtidos.
2. O uso de princípios morais, além de dinheiro, como paradigma gerencial principal.
Acredito que a sociedade já procura alguma forma de concretizar isto quanto exige de fornecedores certificações ambientais, não utilização de trabalho infantil, funcionários contratados pela CLT, adoção de cotas, etc. São tentativas de “moralizar” as atividades, mas ainda é pouco. Poucos valorizam mais as negociações com seus parceiros próximos em detrimento de empresas totalmente desconhecidas que proporcionem maiores lucros, independente dos métodos que utilizem para gerar seus produtos. Como quantificar isto? Como traduzir de forma transparente e que se perceba que o lucro foi menor mas a empresa, a sociedade, as pessoas foram beneficiadas?
3. Uma reforma educacional mundial, visando ensinar primeiro ao coração e depois ao cérebro – e que seja secular.
O Dalai falou da qualidade de ensino no Japao e sua taxa de suicídio entre os jovens. Podemos citar ainda outros países de primeiro mundo que geram jovens que tendem a violência para se expressar, ou que passam a ignorar os seus iguais porque não fazem parte de seu circulo próximo de amizade e convivência. Quem se importa com as mortes de milhares de pessoas do outro lado no mundo, na Africa, em países de extrema pobreza, se tem os últimos lançamentos tecnológicos ou os mais modernos confortos da sociedade moderna? Pra que deixar de trocar o carro todo ano se eu posso pagar por isto? Educar o coração é mister.
4. Uma mudança radical no método atual de resolução de problemas.
Negociação constante... ganha-ganha, respeito pelas necessidades do outro em detrimento do maior lucro ou vantagem. Não parece a educação que nós (os mais antigos rs...) recebemos de nossos pais quanto a forma de lidar com os nossos irmãos e próximos?
Me lembrei agora de um ensinamento que recebi enquanto criança, quando participei do movimento escoteiro, uma das “Leis do Escoteiro” dizia que “O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros”, na íntegra:
"É amigo ou irmão, não importando a que país, classe ou credo o outro possa pertencer. Como Escoteiro, você reconhece as demais pessoas como sendo, com você, filhos do mesmo Pai, e não faz caso de suas diferenças de opinião, casta, credo ou país, quaisquer que elas sejam. Você domina os próprios preconceitos e procura encontrar as boas qualidades que tenham; o defeito deles qualquer um pode criticar. Se você põe em prática esse amor pelas pessoas de outros países e ajuda a fazer surgir a paz e a boa vontade internacionais, isto será o Reino de Deus na terra. O mundo inteiro é uma fraternidade." Baden-Powell
Isto não tem tudo a ver com o que o Dalai falou sobre “uso de princípios morais” e “reforma educacional mundial”? Escrito por um militar inglês em 1910, ensinado para crianças nos anos 70 e 80? Então... não é uma idéia tão nova assim, mas difícil de ser aplicada, e esquecida pela sociedade moderna.
Hoje vejo que princípios morais e éticos como este são considerados infantis, inocentes, impossíveis de serem colocados em pratica por pessoas que tomam decisões que implicam resultados e lucros, mas não seria algo realmente recompensador para “o coração” das pessoas?
por Fábio Ricardo
domingo 25/09/2009 às 15:30
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