Há dias.

Há dias...
Há dias que somente sinto dor. Não é dor física, mas é a dor de algo que está me fazendo falta.
Hoje estou com dor, muita dor.
Não sei como lidar com isto.
Penso somente que poderia ser diferente, que não devia ser assim.
Muito barulho que não consigo aquietar sozinho.
E me lembro...
Me disseram que aos poucos a saudade se transforma em lembranças. Mas demora... demora muito.
Trago em meu peito a falta.
A falta de ouvir a voz, de simplesmente sentir a presença.
A falta do cheiro, da cor, do longo fio de cabelo no chão, no tapete, no travesseiro.
Sinto falta de sentir aquele corpo do meu lado.
Sinto falta de saber que amanhã, ou depois, ou no final de semana, vai ter secador, shampoo, roupas, sacolas, roupão, barulho e silencio no meu quarto.
Não quero encontrar os amigos, não quero ver ninguém, ou quero, quero tudo, mas não quero separado.
Quero abraçar, sentir meu peito aquecido com aquele outro peito. Sentir a eletricidade em minha mão quando toca aquela.
Quero sentir o corpo, beijar, lamber, morder, sufocar e ser sufocado por suspiros ofegantes.
Chupar, espremer, afagar, bater a acariciar, sorrir, ver o sorriso, gritar de prazer, para então, sentir aquela mão pousar em meu peito enquanto aquele corpo se aconchega em meu corpo.
Rir, brincar, brigar, mas abraçar, abraçar muito, e muito forte. Acordar no meio da noite e sentir alí, a presença, o hálito, o respirar.
Observar, como tantas vezes, a expressão, o rosto, o cabelo, os seios e as pernas.
Observar o espaço perdido na cama, na pia do banheiro, na sala e no armário.
E me sentir feliz.
Mas... há dias.

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