Ho'oponopono e as Constelações Sistêmicas


       Quando falamos sobre qualquer sentimento nosso, ou melhor... quando EU falo sobre qualquer sentimento meu, eu entendo que estou transmutando este sentimento.

       No meu entender, minha mente, meu eu, minha alma ou espírito, possui – entende- vive- apenas os sentimentos, e quando penso ou decido falar sobre eles, acontece a primeira transmutação, passo a utilizar imagens que já vivi (portanto, imagens da minha janela cognitiva, imagens que estão na minha bolha de realidade – segundo a teoria das bolhas), para decodificar estes sentimentos.
       Depois, traduzo estas imagens (que são compostas de todos os sentidos que utilizamos para registrá-las) em palavras, e neste instante estou começando a racionalizar os sentimentos.


       Então não são mais apenas emoções, começam a ser coisas traduzíveis em palavras.
 

       Em seguida, transformo as palavras (que significam imagens) montando frases, de forma que outra pessoa possa entender a mensagem que quero transmitir. Este é um processo tão comum que é quase mecânico. E eu nem percebo o que realmente estou fazendo.
 

       Finalmente eu falo. E quando falo, seja para outra pessoa ou para as paredes (com a diferença que falando para outra pessoa terei o feed-back desta pessoa, mesmo que seja não verbal, mas aí já é outra história) eu me escuto e tomo consciência do que estou falando e compreendo o que eu disse, e o processo inverso acontece, compreendendo o que sinto.
 

       Isto tudo para dizer que assim eu REVELO, ou DESVELO, trago à luz algo que estava velado, obscuro, escondido de minha consciência.
 

       As Constelações:
 

       Eu entendo que na Constelação ocorre algo semelhante no âmbito energético. Algo que estava velado, obscuro, escondido, é trazido à luz, e só por esta ação esta energia é transmutada em outra coisa.
       E qualquer ação que traga qualquer coisa trazendo-a à luz, só pode ser positiva, engrandecedora e evolutiva.
       Assim, quando uma situação é constelada toda a energia e todas as pessoas, organizações, egrégoras, viventes ou não, são beneficiadas com esta transmutação iluminadora e evolutiva.
 

       A meditação Ho’oponopono:
 
       Eu acredito que quando aplico a meditação Ho’oponopono estou também estou lidando com as energias, mas de outra forma.
 

       No momento que digo (penso, me conscientizo) SINTO MUITO, eu estou reconhecendo a situação.
 

       Reconhecer completamente e sinceramente é muito, mas muito importante mesmo. Muitas vezes percebo o quanto é importante para mim, e acredito que para as outras pessoas também.
       RE-CONHECER, perceber, entender como verdade, acreditar e concretamente perceber com todos os sentidos que aquilo, aquela situação, existe.
       E quando digo SINTO MUITO eu estou reconhecendo.
       Este movimento é MEU. EU preciso reconhecer, intensa e profundamente. Realmente sentir, e sentir MUITO, isto é, com todos os meus sentidos, aquela situação ou sentimento (aquela pessoa, aquela ação, aquilo sobre o qual estamos meditando).
 

       O segundo movimento é de PERDÃO.
 

       Aqui muitas vezes pensei que era um movimento de perdoar a pessoa, ou a situação, ou de pedir perdão para a pessoa ou da minha participação na situação. Porém, refletindo melhor, agora acredito que é um clamar pelo perdão INFINITO e ABSOLUTO do Universo (de Deus, do Bem Maior, da Fonte do bem supremo...). Este perdão não tem medida e é superior a qualquer sentimento ou energia que eu possa ter ou que eu acredito que um ser encarnado possa.
       Este não tem medida em tempo, espaço ou quantidade. É um perdão que limpa e dissolve qualquer culpa, pendência ou dívida. Não é um perdão humano, é um perdão tão intenso e completo que nem tenho (e não sei se outra pessoa teria) capacidade de imaginar sua extensão. Por isto é infinito e absoluto, e portanto, divino. É este o perdão que é clamado!
       Acredito que todo clamor ao Universo, se feito com intensa verdade e sinceridade, é atendido. Independente do merecimento que as religiões e crenças apregoam ser necessário. O Deus Pai- Mãe- Vida não mede merecimento como os humanos.
       E... é LIBERTADOR (Liberta a DOR) !
 

       O terceiro movimento é de AMOR.
 

       Todo amor é completo, puro, intrínseco ao ato de amar. Mas também brota do Universo e de mim mesmo.
       Eu tenho o amor de Deus dentro de mim e Ele tem o meu amor como parte Dele. O amor clamado é todo o amor da existência, e a transcende. Clamo o amor de fora e de dentro de mim. Coloco-o no motivo da meditação que já foi perdoado, inundando-o com esta energia também INFINITA que está em toda a nossa volta, em você, e em mim.
 

       Por fim, AGRADEÇO.
 

       Quando agradeço eu reconheço, eu estou reconhecendo que eu, a situação, a pessoa, o motivo da meditação recebeu o meu entendimento sobre sua existência, recebeu o perdão superior, e o amor infinito e meu.
       Agradeço por tudo isto ter acontecido. Agradeço ter conseguido participar do processo, o perdão ser efetivado, o amor ter se manifestado, e pela situação toda ser abençoada.
 

       Conclusão:
 

       No final de uma Constelação Sistêmica, imagino que deve ser uma situação fantástica, engrandecedora e de muita Luz, todos os envolvidos mentalizando este Perdão e Amor!
       

        Fábio Ricardo Berno.
        Facilitador em Treinamentos, Seminários e Vivências de Desenvolvimento Humano, mas acima de tudo, um ser encarnado que busca seu autoconhecimento e sua evolução.

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